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CORDEL

A literatura de cordel, também conhecida como literatura de folhetos ou simplesmente folhetos, chegou ao Brasil no século XIX, advinda de Portugal. A mesma se fincou no Nordeste e encanta a todos, sendo condicionada como cultura nacional.
Essa forma literária apoiou-se na tradição oral dos poemas cantados e nos desafios poéticos praticados pelos cantadores nordestinos. É chamado de “literatura de folhetos”, por causa que os escritos são compostos por folhas de papel dobradas em quatro, formando brochuras de, no mínimo, oito páginas ou em múltiplos de oito (dezesseis, vinte e quatro e trinta e duas páginas).
O nome mais famoso, literatura de cordel, se refere ao modo que os folhetos são expostos ao público, pendurados em cordéis (barbantes) que funcionam como varais, onde os folhetos são dispostos para serem vendidos.
Em termos oficiais, o cordel “O soldado jogador”, de Leandro Gomes é reconhecido como a primeira história de cordel brasileira. Além de Gomes (1865-1918) os outros pioneiros dessa arte são: Silvino Pirauá de Lima (1848-1913), João Martins de Athayde (1880-1959), João Melquíades Ferreira da Silva (1869-1933), José Galdino da Silva Duda (1866-1931) e José Camelo de Melo Resende (1865-1964). Nosso querido cordel passou a ser reconhecido nacionalmente no início da década de 1980, pois pesquisadores e jornalistas estavam cansados de escritos antigos, a produção literária brasileira estava escassa e precisava de uma nova safra. Com essa busca de novos escritos, a literatura de cordel obteve o seu reconhecimento, culminando na criação da editora Tupynanquim, de Fortaleza, trazendo à luz para a poesia popular brasileira.
O tamanho dos folhetos indaga sobre o conteúdo veiculado ao poema:
- oito páginas: assuntos do cotidiano, fatos jornalísticos e desafios e as pelejas (competições entre dois cantadores e visam exibir a própria habilidade poética e impedir o concorrente de dar continuidade à produção de versos);
- dezesseis páginas: contam histórias de valentia e de esperteza ou casos amorosos.
Além desses temas, o cordel transpõe histórias místicas, metafísicas, fantasiosas e contos de fadas.
As capas dos cordéis são feitas pela arte da XILOGRAVURA. Xilogravura é um processo de xilografia, técnica de impressão que utiliza pedaço de madeira e que funciona na seguinte forma: primeiro, entalha-se a madeira, criando um desenho, depois espalha-se tinta sobre a madeira e, então, transfere-se o desenho para o papel, através de pressão. Funciona, basicamente, como um carimbo.
Os escritos em cordéis seguem uma estruturação poética. A maior parte dos textos se organizam em estrofes de seis versos, cada um com sete sílabas poéticas, obedecendo ao esquema de rimas ABCBDB (o 2º, o 4º e o 6º versos rimam entre si). Podemos observar isso na primeira estrofe de “A Força do Amor”, de Leandro Gomes de Barros:

Nestes versos em descrevo (A)
A força que um amor tem (B)
Que ninguém pode dizer (C)
Que não há de querer bem (B)
O amor é como a morte- (D)
Que não separa ninguém (B)
CORDEL CORDEL Reviewed by Unknown on 08:33 Rating: 5

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