Já percebeu que chamamos, principalmente às crianças, de princesas ou heróis? Com certeza já escutou, acha isso normal, mas será que não limitamos as mesmas para essas duas plenitudes?
Hodiernamente, quando escuto frases, como “ Nossa...essa é a princesinha da mamãe” e “Olha o meu herói; que lindo” me dá demasiada raiva, pois consolida o caminho de que meninos e meninas vão seguir; e isso é algo ultrapassado, retrógrado e machista. Ora, acredita que isso está intrínseco ao jargão “tempestade em copo d’água? ” Vamos analisar:
No conto de fadas, em geral, a princesa é a idealização da moça frágil, dependente, que sonha com um príncipe encantado no cavalo branco, e necessita da bondade e amor do mesmo para resgatá-la das adversidades da vida. Logo, na vida real, a mulher é vista como inferior ao homem e que sempre necessitará do mesmo, financeiramente e afetivamente, para suprir às necessidades enraizadas na felicidade, ou seja, as “princesinhas” são mulheres dependentes de homens que, muitas vezes, são machistas, e elas sempre viverão ancoradas neles em todos os sentidos sociais e emocionais.
Nas histórias de quadrinhos, desenhos e live-actions, o herói é aquele cara com músculos, viril, sem problemas emocionais, independente e que conquista o famigerado coração da mocinha. Na vida real, o homem é instruído a sempre ser másculo, não demonstrar as suas emoções, casar com uma mulher linda e de boa família, trabalha para pagar as dívidas e é o alfa da família, ou seja, formamos homens, que tem o intuito de ter um status superior da mulher, ao invés de lutar pela equidade de gêneros.
Não é o problema em querer ser a “princesa “ ou o “herói”, mas a questão é o porquê de não deixarmos às crianças escolher o seu próprio status identitário, como engeinherxs, arqutetxs, surfitxs, esposx [..] ou melhor, ser o que querem, deixá-los a ser libertos a escolherem seus caminhos. Assim, instaurar que meninas são princesas e meninos são heróis é algo inconsistente com as mudanças sociais que ocorrem no século vigente, como a discussão sobre gênero, identidade de gênero e sexualidade.
Esse texto, que parece um depoimento, surgiu através do conhecimento da coletânea “Antiprincesas e anti-heróis”, da editora Chirimbote, que tem por intuito de libertar a infância desses rótulos, além de promover a reflexão sobre pessoas que fizerem a diferença para a sociedade e não foram mencionados como princesas e heróis. Nessa coletânea temos os seguintes nomes: Frida Kahlo, Violeta Parra, Juana Azurduy, Clarice Lispector, Gilda, Alfonsina Storni,Julio Cortázar, Eduardo Galeano, Che Guevara, Gauchito Gil.
Para mais informações, acesse: http://www.antiprincesas.com.br/
Por uma infância mais liberta e sem rótulos, por favor!
SOMO APENAS PRINCESAS E HERÓIS?
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