Ainda não dá para acreditar que, em pleno 2018, homofobia, transfobia e lesbofobia ainda são tabus na nossa sociedade e, pior ainda, o contexto é escolar é um ambiente hostil a tais temas. Se a escola é um ambiente que vai além aos processos de aprendizagem, todo mundo tem consciência, mas o que leva tal âmbito em banalizar as atitudes agressivas às pessoas LGBTQI?
Saí do ensino básico há dez anos e era perceptível que os alunos não tinham voz em indagar sobre emblemáticas sociais que percorriam a realidade. Na verdade, os estudantes LGBTQI não podiam se manifestar, pois tinham que se camuflar, porque discorrer sobre temas contrários aos movimentos heterossexuais era algo abominável. Lembro que quando estava na sexta série, ano de 2002, fui alvo de homofobia e me direcionei à professora de língua portuguesa, para relatar o que estavam fazendo comigo e a mesma me disse: “A culpa é sua! Vai se sentar e faça sua atividade! ”. Como assim isso era culpa minha? Ser homossexual era uma falha na visão dela? Eu teria que sofrer por ter uma orientação sexual diferente dos demais alunos?
Esses questionamentos me corroeram por muito tempo, pois não conseguia me adaptar aos padrões heteronormativos, que eram impostos e me sentia sujo e grotesco, por não ser aquilo a qual a sociedade me cobrava. Felizmente, percebi que não estava deturpado por sentir atração pelo mesmo sexo, porque compreendi que a sociedade está doente; doente de preconceitos e visões medievais sobre às pessoas, as quais concebem interpretações incabíveis de movimentos sociais de cunho esquerdista.
Mesmo com maiores reflexões sobre a obrigação ao respeito do movimento LGBTQI, as instâncias sociais, como as escolas, estão atrasadas e com concepções arcaicas. Posso dizer que o ambiente escolar é retrógrado e não sabe proferir que todos devem ter o mesmo direito, independentemente de sua orientação sexual e identidade de gênero. Não é raro ver professores proferindo discurso de ódio aos alunos como: “Quer saber que é gay? Vai dar meia hora de bunda! ”, “ Pessoas do mesmo sexo não fazem filhos”, “Virou tendência ser viado”, ” Homem que é homem puxa os cabelos das meninas na balada”.
Você, caro leitor, deve achar que estou inventando, mas não, tais frases são comuns nas escolas e, pior ainda, a equipe gestora faz vista grossa para esse problema. Objetivamente, esses discursos sempre transcorreram em tal âmbito, mas, hoje, com o processo de empoderamento das pessoas, tais frases/ações são questionadas pelos alunos, os quais não aguentam mais essa pungência de atos contra ao movimento LGBTQI.
A sala de aula não é o ambiente mais nocivo para tais discursos, pois é na sala dos professores que mora a ignorância, a insensibilidade e apatia dos professores com o LGBTQI+. Articulações como “Homossexualismo”, “Não é orientação, mas opção sexual”, “Nome social, para quê? O que vale é o que está no RG! ”, “É fetiche ver duas mulheres se beijando” é tão normal quanto fazer a “vaquinha” para comprar o café. Inaceitavelmente que profissionais da educação não consigam perceber que esses discursos dão margens a crimes contra orientação sexual e identidade de gênero e, pior ainda, acreditam da normalidade em tais pessoas sejam mortas por conta do preconceito, pois, segundo algumas pessoas, “dão muita importância para as mortes dos gays, mas esquecem que a maioria dos assassinatos, os héteros são as principais vítimas”; como podem ter esse discernimento? Nenhum heterossexual morre por ser hétero, mas homossexuais morrem por ser gays. A que ponto estamos em que matar pessoas LGBTQI é considerado normal, segundo o ambiente escolar?
Alunos, se rebelem a esse sistema caótico contra o respeito às pessoas LGBTQI. Façam que te escutem, que reflitam em suas atitudes; lutem para que o ambiente escolar seja harmônico e empático a todas pessoas que estão inseridas. Não camuflem sua sexualidade, deixe-a transbordar, para que os educadores entendam que nem todos são padrões normativos da sociedade.
Sim, professores, a homofobia mata!
SIM, PROFESSORES, A HOMOFOBIA MATA!
Reviewed by Unknown
on
14:52
Rating:
Reviewed by Unknown
on
14:52
Rating:

Nenhum comentário: