Algumas postagens passadas fizemos a lista dos cinco poetas brasileiros que você deve conhecer, mas, felizmente, no Brasil, os estudos sobre historiografia literária também recai na literatura portuguesa, então vamos conhecer cinco poetas portugueses que você deve conhecer.
5 SOFIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN: Nasceu no Porto em 1919, é muito conhecida pelos seus escritos em prosa, mas também é considerada como umas das vozes mais representativas do lirismo português pós-guerra. Vamos ler o poema “Casa Branca”:
Com o teu jardim de areia e flores marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.
A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.
4 D. DINIS: Rei e trovador foi um dos responsáveis em florescer a identidade literária portuguesa, além de grande enaltecedor da língua portuguesa. Um dos seus grandes feitos foi fundar, em 1290, a Universidade de Coimbra. Vamos ler a sua cantiga mais famosa: “Ai flores, ai flores do verde pino”:
Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?
se sabedes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?
aquel que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi 'á jurado!
Ai Deus, e u é?
aquel que mentiu do que mi 'á jurado!
Ai Deus, e u é?
Vós me preguntades polo voss'amigo,
e eu bem vos digo que é san'e vivo:
Ai Deus, e u é?
e eu bem vos digo que é san'e vivo:
Ai Deus, e u é?
Vós me preguntades polo voss'amado,
e eu bem vos digo que é viv'e sano:
Ai Deus, e u é?
e eu bem vos digo que é viv'e sano:
Ai Deus, e u é?
E eu bem vos digo que é san'e vivo
E seera vosc'ant'o prazo saído:
Ai Deus, e u é?
E seera vosc'ant'o prazo saído:
Ai Deus, e u é?
E eu bem vos digo que é viv'e sano
e seerá vosc'ant'o prazo passado:
Ai Deus, e u é?
e seerá vosc'ant'o prazo passado:
Ai Deus, e u é?
3 DAVID MOURÃO-FERREIRA: Professor Universitário, Secretário da Cultura e diretor da revista Colóquio/letras foi um grande poeta português na segunda metade do século XX. Faleceu em Lisboa, em 1996. Vamos ler o poema “Minuto”:
O amor? Seria o fruto
trincado até mais não ser?
(Mas para lá do prazer
a vida estava de luto...)
Fui plantar o coração
no infinito: uma flor...
(Mas para lá do fervor
a Vida gritou que não!)
no infinito: uma flor...
(Mas para lá do fervor
a Vida gritou que não!)
O amor? Nem flor nem fruto.
(Tudo quanto em nós vibrara
parecia pronto a ceder...)
(Tudo quanto em nós vibrara
parecia pronto a ceder...)
Foi apenas um minuto:
a fome intensa, tão rara!,
de ser criança, ou morrer...
a fome intensa, tão rara!,
de ser criança, ou morrer...
2 CESÁRIO VERDE: Mesmo que Antero de Quental seja considerado o maior poeta realista português, Cesário Verde tem uma vasta literatura, que é de grande valia para Portugal. Vamos ler o poema “Lágrimas”:
Ela chorava muito e muito, aos cantos,
Frenética, com gestos desabridos;
Nos cabelos, em ânsias desprendidos
Brilhavam como pérolas os prantos.
Ele, o amante, sereno como os santos,
Deitado no sofá, pés aquecidos,
Ao sentir-lhe os soluços consumidos,
Sorria-se cantando alegres cantos.
Deitado no sofá, pés aquecidos,
Ao sentir-lhe os soluços consumidos,
Sorria-se cantando alegres cantos.
E dizia-lhe então, de olhos enxutos:
- "Tu pareces nascida da rajada,
"Tens despeitos raivosos, resolutos:
- "Tu pareces nascida da rajada,
"Tens despeitos raivosos, resolutos:
"Chora, chora, mulher arrenegada;
"Lagrimeja por esses aquedutos...
-"Quero um banho tomar de água salgada."
"Lagrimeja por esses aquedutos...
-"Quero um banho tomar de água salgada."
1 FLORBELA ESPANCA: Uma das poetas mais dramáticas que já existiu. Espanca não teve sorte em seus casamentos e ao término do segundo viveu encasulada e fora do convívio social, com fins de se aprofundar nos seus escritos. Teve um breve momento de felicidade e de esperanças renovadas, porém a vida pareceu um enorme fardo. Faleceu em 1930 e muitos acreditam que ela se suicidou. Vamos ler o poema “Loucura”:
Tudo cai! Tudo tomba! Derrocada
Pavorosa! Não sei onde era dantes.
Meu solar, meus palácios, meus mirantes!
Não sei de nada, Deus, não sei de nada!...
Passa em tropel febril a cavalgada
Das paixões e loucuras triunfantes!
Rasgam-se as sedas, quebram-se os diamantes!
Não tenho nada, Deus, não tenho nada!...
Das paixões e loucuras triunfantes!
Rasgam-se as sedas, quebram-se os diamantes!
Não tenho nada, Deus, não tenho nada!...
Pesadelos de insônia, ébrios de anseio!
Loucura de esboçar-se, a enegrecer
Cada vez mais as trevas do meu seio!
Loucura de esboçar-se, a enegrecer
Cada vez mais as trevas do meu seio!
Ó pavoroso mal de ser sozinha!
Ó pavoroso e atroz mal de trazer
Tantas almas a rir dentro de mim!
Ó pavoroso e atroz mal de trazer
Tantas almas a rir dentro de mim!
5 POETAS PORTUGUESES QUE VOCÊ PRECISA CONHECER
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