É clichê dizer que vivemos num mundo informatizado, mas é a pura realidade, pois com a forte atuação das redes sociais nas pessoas, novos usos linguísticos tornam-se famosos e, algum desses, são polêmicos, como é o caso da neutralidade de gênero.
Neutralidade de gênero é usado para não condicionar marcas de gênero-feminino e masculino- nas palavras, principalmente em substantivos, adjetivos e pronomes, substituindo por “x” ou “@”. A polêmica de tal substituição está pelo fato que uns apoiam o mesmo, porque a língua é machista e não engloba a pessoas transexuais, mas outros, além da questão de ferir o processo de formação das palavras, acreditam que realizar tal mudança vai atrapalhar no processo de letramento das pessoas. Aqui, é perceptível que o impasse não está ligado às convenções da língua, mas está enraizado nas questões sociais.
Enfatizando na questão da linguagem, é notável que a língua é, extremamente, machista. Mesmo que hoje isso é menos notável, fica claro que a língua segue uma linha patriarcal quando, por exemplo, temos várias pessoas femininas e apenas uma figura masculina, logo se chamar esse grupo com marcações femininas é uma blasfêmia, porque se estiver um elemento masculino, o todo será denominado com este termo. Tal exemplo parece comum e não denota machismo, mas se refletirmos, o patriarcalismo está no âmbito linguístico.
Além da convenção patriarcal, a questão de gênero necessita de nossa atenção. Não é novidade que os vocábulos exigem flexão de gênero, mas isso está ligada na questão sexista, como por exemplo nas gramáticas antigas retratam a mulher como o feminino de homem e isso é equivocado, pois mesmo que, semanticamente, ambos estão relacionados, são fundamentalmente diferentes. Sem falar que as gramáticas antigas, as consideradas “melhores” e “tradicionais”, foram escritas por homens, que seguiram, fielmente, a criação patriarcal e machista que tiveram e repassaram nos textos.
Logicamente, a questão machista da língua recai na sociedade. A sociedade brasileira se camufla como um lugar que respeitam a todos independente de gênero e orientação sexual, mas isso é uma lástima hipocrisia.
Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais. Segundo a ONG Transgender Europe (TGEU), de janeiro de 2008 e março de 2014, foram registradas 608 mortes dessas pessoas supracitadas. Detalhe que mesmo com esse elevado índice, somos o país campeão de consumo de conteúdo pornográfico na internet de travestis e transexuais. É meio banal, isso, não é? Assassinamos pessoas que são o nosso grande fetiche na internet. Assim, termos como “um país de todos” é apenas usado para mascarar os inúmeros crimes realizados por questão de intolerância. Lógico que também na questão da violência não podemos ignorar que gays e lésbicas, porque sofrem por causa da intolerância, pelo fato que muitos estão “cegos” e “surdos” causados pelos discursos de ódio providos por lideranças políticas e religiosas, que realizam “lavagem cerebral” em pessoas que não conseguem formar opinião própria nos mais variados assuntos/temas
Nitidamente, a questão do “x” e do “@” também atinge às mulheres, pois uma das questões para usar essas marcações são para disseminar a igualdade de gêneros. Sabemos que nosso país é extremamente machista e ainda confere a mulher um status de inferioridade nos âmbitos domésticos, empresarial e acadêmico. Buscar tal igualdade é necessário para que as próximas gerações saibam respeitar o espaço do outro.
Independente se vai vingar o não essas marcações, temos que ter a consciência que devemos respeitar o próximo independente da gênero e orientação sexual e fazer com que o respeito oblitere o ódio. A discussão de tais marcações não é uma questão linguística, mas é social.
Somos todos queridxs!
NEUTRALIDADE DE GÊNERO
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