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AS PESSOAS SENTEM À POESIA?


Não é tão fácil definir o que é poesia, como salienta Massaud Moisés (2013, p. 369) “ assunto mais controvertidos, tem estado presente desde o início da atividade literária, em nebuloso estágio cultural perdido nas sombras do tempo [...]”. A grosso modo, e desculpem por tal definição, podemos dizer que a poesia é a arte de compor ou escrever versos. Tal arte é, muitas vezes, enraizada nos sentimentos de amor, afeto, alegria e felicidade e é usado demasiadamente como o texto que perpetua os mais belos sentimentos dos seres humanos. Mas será que às pessoas sentem à poesia em seus âmagos? Será que entendem que cada palavra contém um sentido e quando juntas, em um poema, transforma-se em algo colossal?
 A partir da eclosão das redes sociais, os participantes das mesmas têm a necessidade de nutrir o compromisso ou demonstrar que estão juntos com outra pessoa e como elas realizam isso? Por meio da poesia, logicamente. Poetas como Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Luís de Camões, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles não passam despercebidos dessas pessoas:
“ Eu te peço perdão por te amar de repente/Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos” (Ternura – Vinícius de Moraes)
“Seremos, na manhã, duas máscaras calmas/ E felizes, de grandes olhos claros e rasgados.../ Depois, volvendo ao sol as nossas quatro palmas, / Encheremos o céu de voos encantados!...” (O dia seguinte do amor – Mário Quintana)
“Amar é fogo que arde sem se ver” (Amor é fogo que arde sem se ver – Luís de Camões)
“Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita e o beijo tácito, e a sede infinita” (Amar – Carlos Drummond de Andrade)
“Quem tivesse um amor, nesta noite de lua, / para pensar um belo pensamento/ e pousá-lo no vento! ” (Romantismo – Cecília Meireles)
Tais versos e outros, de diferentes autores, refletem como é bom amar, ser amado, viver com alguém que ama, ou seja, simbolizar; mas será que as pessoas sentem o que os versos dos poemas querem dizer? Será que alguém que mande um verso de “Ternura”, se apaixonou à primeira vista? Será que alguém declara os seus sentimentos após uma noite de amor, como no poema de Quintana? Será que existe alguém que mande o verso “Amor é fogo que arde sem se ver”, quer definir o amor que sente pelo parceiro? Será que alguém reflete a sua vontade der ter um namorado, com total sinceridade, como no poema de Cecília Meireles?
Tais questionamentos é, na realidade, segmentos de uma questão maior: às pessoas sentem à poesia? Utilizar textos dos demais é muito fácil, pois estão disponíveis na internet, assim leva questões de minutos para obter tal texto do agrado, porém entendem que o que o autor quis expressar?
Perceba que tal uso deixa diversas dúvidas, principalmente na questão se o que está escrito reflete a felicidade, aí a situação piora. Nesta modernidade líquida – termo de Zygmunt Bauman- que vivemos, o verbo “amar” é, cada vez mais, difícil de executar, pois às pessoas estão mais ocas de sentimentos, vulgariza-o e não conseguem ser sinceros com o que e sentem – não são sinceras com elas mesmas- e acreditam que a poesia vai amenizar seus problemas em não sentir nada pelo seu parceiro. A poesia, ao invés de ser uma demonstração de amor, torna-se um viés da falácia.
Com tal falta de sinceridade e a ignorância em compreendê-la, esse gênero literário é transformado em um amontoado de palavras, algo opaco e carente de sentido.  É trágico e lamentável dizer que as pessoas induzam a mesma a algo sem densidade emocional, mas, infelizmente, é assim que muitas pessoas a concebe.
  Aqui, faço manifesto que utilizem a poesia com propriedade, sinceridade e acurácia com o que sentem, para refletir o respectivo âmago. Não sejam falsos, hipócritas e mesquinhas em utilizar esse gênero literário na forma de amenizar mentiras, traições e falsidade. Assim, vamos a utilizar num modo concebido por Voltaire: “ a poesia é a alma, e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais”.
REFERÊNCIA:

MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. 12ªed. São Paulo: Cultrix, 2013
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