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PROSTITUIÇÃO E LITERATURA

Profissão, safadeza, blasfêmia: a profissão de prostituta-ou também denominada de garota de programa- é uma das mais polêmicas da história. Para muitos, a primeira alusão a tal profissão veio da figura bíblica Maria Madalena, mas com os estudos da teologia e de outras ciências humanas, isso foi desmentido.

A questão é que não podemos ignorar que às prostituas existem, mesmo que marginalizadas, em nossa sociedade e não devem ser dizimadas, assim é importante compreendermos o contexto e a história delas antes de a julgarmos. A literatura pode nos auxiliar a compreender essas pessoas e saliento que garotas de programa também fazem literatura. Duvida disso? Continue lendo.


Lucíola, o quinto romance de José de Alencar, discorre sobre a necessidade de se prostituir para ajudar a família financeiramente. Lúcia, antigamente usava o nome Maria da Glória, foi seduzida por um ricaço, quando tinha 14 anos, chamado Couto. Ele dava dinheiro para a protagonista, enquanto a mesma dava os prazeres carnais para ele. Quando pai de Lúcia descobre esse fato a expulsa de casa. Para sobreviver, ela muda de nome e torna-se uma cortesã. Extremamente bela, Lúcia é cobiçada pelos homens mais ricos do Rio de Janeiro. A mesma desprezava-os, tinha nojo e acreditava que jamais poderia ser apaixonar, até que conhece Paulo – jovem recém-chegado de Pernambuco e com pouco dinheiro- e ambos se apaixonam
No romance naturalista de Aluísio AzevedoO cortiço, o enfoque é relatar a busca de João Romão em se tornar rico, mas discutir sobre duas personagens: Leónie e Pombinha. Leónie é uma mulher que obteve ascensão social e pode desfilar livremente com seus amantes nas ruas e nos locais sociais cariocas. Madrinha de Pombinha – uma menina angelical e muito bem vista por todos no cortiço- persuadir a ela tornar-se prostituta e a faz de sua amante. Nessa obra, podemos perceber que muitas garotas entram no “mundo da prostituição” pela influência de pessoas que as dizem que vão ter um futuro próspero e com muito dinheiro.
No caso de Tieta em Tieta do agreste, de Jorge Amado, a protagonista da história já era um ser mais libertador, mas sofreu com o desafeto da família. Tieta adorava se divertir e ter aventuras amorosas, mas, aos 17 anos, foi expulsa da família, pelo fato que sua irmã mais velha, Perpétua, denunciou as aventuras dessa. Após a expulsão, Tieta vai morar em São Paulo, se prostitui e se casa com um rico industrial. Quando se marido morre, a protagonista volta para a sua terra natal. Mesmo expulsa pela família, Tieta mandava cartas e com dinheiro para ajudar, financeiramente, os seus entes.
Histórias de prostitutas na literatura, em sua maioria, são descritas de uma forma romantizada e que pouco reflete do sofrimento dessas mulheres em se entregar, financeiramente, aos desejos carnais. Felizmente, existem prostitutas que contam suas histórias desse mundo marginalizado e entrega para a nossa literatura obras de suma importância.



Lola Benvenutti, ao contrário de muitas prostitutas, entrou no ofício com a própria vontade. Formada em Letras pela UFSCAR e mestranda em Educação Sexual pela UNESP, trabalha como escritora, blogueira e coach de sexualidade. Escreveu às obras Por que os homens me procuram – que dá dicas de como as mulheres podem “apimentar” a relação e O prazer é todo nosso – narra algumas experiências da escritora.
Gabriela Silva Leite, que, infelizmente, é falecida, lutou em prol ao reconhecimento da prostituição como uma profissão legal. Iniciou os estudos em ciências sociais na Universidade de São Paulo, USP, mas abandonou os estudos para tornar-se prostituta. Com seu ótimo senso crítico, a mesma criou a ONG Davida – em prol a regulamentação da profissão prostituta- e a grife de moda Daspu. Em 2008, foi lançado a biografia de Gabriela intitulado: Filha, mãe, avô e puta.
Bruna Surfistinha é uma ex-prostituta que tornou-se celebridade. Após o seu blog eclodir, a celebridade escreveu o livro O doce veneno do escorpião – o diário de uma garota de programa, que relatou as suas experiências como garota de programa e foi a base para o filme Bruna Surfistinha protagonizado pela Deborah Secco. Além desse best seller, de 2005, a escritora lançou Na cama com Bruna Surfistinha, que também foi um sucesso de vendas. Surfistinha também é conhecida pela participação do reality da Record A Fazenda 4, no qual ficou em terceiro lugar e o seu trabalho como dj.
Ser prostituta é sinônimo, muitas vezes, de sexo, prazer e luxúria, mas sabemos que, na realidade, isso não ocorre. Infelizmente, a realidade das pessoas desta profissão é proveniente da pobreza, na busca sustento da família e, a mais impactante, por tráfico de mulheres. Não podemos “torcer o nariz” para as mesmas, pois não sabemos o que eles sofrem, os motivos que as levaram a essa profissão. A literatura nos faz enxergar que essas mulheres são fortes, corajosas e cometem erros como qualquer um. Como diz na bíblia “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mateus, 7:1)


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